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Acervo de André Nunes · Orientação para a família
Entenda os sentimentos que surgem ao descobrir o uso de drogas na família e como preparar uma conversa sem humilhação, exposição ou decisões pelo desespero.

Descobrir que um filho usa drogas pode trazer muitas perguntas ao mesmo tempo. O que aconteceu? Como não percebi? O que as outras pessoas vão pensar? Em poucos minutos, a preocupação com ele se mistura com dúvidas sobre a própria história como mãe ou pai. Essa mistura pode tornar difícil até escolher por onde começar.
No vídeo do acervo publicado em 2017, André Nunes organiza essa experiência em três sentimentos: vergonha, culpa e raiva. O convite é perceber como eles influenciam a reação da família. Este texto aprofunda esse recorte emocional; a avaliação do uso e os caminhos de cuidado precisam ser construídos com profissionais.
Você não precisa deixar de sentir para pedir ajuda. Precisa reconhecer quando uma emoção está conduzindo uma decisão que merece mais cuidado. E há uma distinção importante: descobrir o uso de uma substância não permite, sozinho, concluir um diagnóstico de dependência. A situação precisa ser avaliada, sem minimizar riscos nem colocar um rótulo antecipado.

No vídeo, André descreve o receio do julgamento de parentes, vizinhos e pessoas da escola. A família pode tentar esconder tudo para proteger sua imagem. O problema aparece quando esse silêncio também impede a busca por orientação ou faz uma pessoa carregar sozinha todas as preocupações.
Não é necessário anunciar o que está acontecendo nem compartilhar detalhes íntimos em grupos de mensagens. Escolha quem realmente pode ajudar e para qual finalidade. Conversar com um profissional é diferente de expor o filho a comentários de pessoas que não participam do cuidado.
Uma fala possível, criada como exemplo prático, é: “Descobrimos uma situação de uso de drogas e precisamos de orientação. Ainda estamos entendendo o que acontece e queremos preservar a intimidade da família.” Ela permite pedir apoio sem transformar a conversa em um relato público.
Se houver risco de violência ao contar a outro familiar, não organize uma reunião sozinha por obrigação. Busque primeiro orientação para proteger as pessoas envolvidas. Privacidade e segurança precisam caminhar juntas.
A pergunta “onde foi que eu errei?” pode ocupar a cabeça durante dias. André chama atenção para o risco de ficar presa nessa busca e tentar compensar o sofrimento atendendo a qualquer pedido. A culpa pode parecer uma forma de cuidado, mas não organiza, por si só, a ajuda necessária.
A dependência não se explica por uma única falha da mãe, do pai ou da criação. Fatores biológicos, de desenvolvimento e do ambiente se combinam de formas diferentes. Reconhecer essa complexidade não impede a família de revisar suas atitudes; apenas evita transformar essa revisão em uma sentença contra si.
Se você identifica uma atitude concreta que precisa reparar, dê nome a ela: uma ofensa, uma conversa que foi interrompida, uma necessidade que não foi escutada. É possível se desculpar e mudar essa atitude sem assumir a causa de tudo que aconteceu. A pergunta mais útil passa a ser: “O que posso fazer de maneira diferente agora?”

No vídeo, a raiva aparece ligada ao sentimento de ter investido muito e, mesmo assim, ver o filho usar drogas. A dor pode se transformar na pergunta “por que ele faz isso comigo?”. Nesse ponto, uma conversa sobre saúde corre o risco de virar cobrança, humilhação ou tentativa de obter uma confissão a qualquer custo.
Sentir raiva não torna você uma mãe ruim. Mas gritar, ameaçar ou agredir não é uma forma segura de conduzir a situação. Se perceber que está perdendo o controle, interrompa a conversa e procure apoio. Uma pausa, quando não existe emergência, pode evitar uma reação que depois aumente o sofrimento.
Em vez de listar tudo que você fez pelo filho, descreva o que sabe e o que preocupa. Por exemplo: “Soube do uso e estou preocupada com sua saúde. Quero entender o que está acontecendo e buscar orientação.” Essa fala é uma possibilidade de abertura, não uma técnica capaz de garantir que ele aceitará conversar.
André propõe uma conversa franca, com clareza e serenidade. Na prática, isso pede escolher um momento seguro, evitar conversar durante intoxicação ou agressividade e não reunir pessoas apenas para pressionar. A participação de familiares deve ajudar a escuta, sem criar um tribunal dentro de casa.
Comece por uma questão concreta. Diga o que observou, escute a resposta e indique o próximo passo possível. Não é necessário resolver naquela hora a causa do uso, o tratamento, todos os conflitos da família e o futuro do filho. Uma conversa inicial pode terminar com o compromisso de procurar uma avaliação.
Com adolescentes, a responsabilidade dos adultos pela proteção e pelo acesso ao cuidado precisa ser considerada. Evite copiar medidas pensadas para filhos adultos. Se a família estiver sem direção, uma UBS ou um CAPS pode orientar a busca pelo atendimento adequado no território.
Se houver perda de consciência, dificuldade para respirar, convulsão ou outra emergência com risco à vida, a prioridade é atendimento: ligue SAMU 192 e siga as orientações. Nesse cenário, a conversa educativa fica para outro momento.
Acolhimento começa reconhecendo: “Estou assustada e preciso de apoio.” Firmeza ajuda a evitar a exposição, a agressão e as promessas feitas para aliviar a culpa. Direcionamento transforma a preocupação em uma ação possível: procurar orientação, organizar uma conversa ou pedir companhia a alguém confiável.
Para hoje, escolha uma emoção que está mais intensa e observe qual atitude ela está empurrando você a tomar. Depois pense em uma alternativa que preserve o cuidado. Se a vergonha diz “não conte a ninguém”, a alternativa pode ser falar com um profissional. Se a raiva pede uma discussão, pode ser marcar a conversa para um momento mais seguro.
Você não precisa resolver toda a história da família de uma vez. Precisa começar com informação, proteção e uma ajuda que também inclua você. Juntos Somos Mais Fortes.
Encontre outras orientações no guia de dependência química na família.
Não. Uma pausa pode ajudar quando você está prestes a explodir. Depois, procure um momento seguro e apoio para conversar com clareza. Não espere ficar sem qualquer emoção para buscar orientação.
Não. Compartilhe o necessário com quem pode contribuir para cuidado e proteção. A escolha deve considerar privacidade e riscos, especialmente se alguém puder reagir com violência.
Não é possível concluir isso apenas pela descoberta. Um profissional deve avaliar o padrão de uso, os prejuízos e as necessidades de cuidado.
Identifique atitudes concretas que você pode mudar ou reparar. Isso é diferente de se considerar a única causa do uso ou responsável por controlar a recuperação do outro.
Importante: em caso de risco imediato, intoxicação grave, violência ou emergência psiquiátrica, procure os serviços de emergência da sua região.
Sua leitura importa